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Viver cultura - Artes |
Dossier "Banda Desenhada" / 2005-03-24 |
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Banda Desenhada
SUPERFUZZ – Um caso de sucesso na BD e na música
“Criada por Esgar Acelerado & Rui Ricardo, SUPERFUZZ narra as aventuras de Paiva, o irredutível dono da loja de discos mais alternativa do país, em publicação nas páginas do jornal BLITZ desde Julho de 2001 - Um feito único, mais de três anos de publicação semanal da série.”
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SUPERFUZZ - Tomo 1: Vai Sonhando, Paiva, Vai Sonhando! é um álbum com 80 páginas de BD, , num lançamento conjunto do Blitz e das edições Devir, em tempo para a edição de 2004 do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Trata-se da recolha em álbum de episódios que foram publicados no jornal Blitz. Os autores conheceram-se por volta de 1996, por causa do Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto (SIBDP), onde ambos colaboraram. Começaram a trabalhar um com o outro na revista Cru, que se viria a revelar o ponto de partida para o convite do Blitz aos autores para que apresentassem um projecto de BD. Esgar Acelerado recorda o processo: “A Superfuzz nasceu em 2001 a convite do BLITZ. Entre 1999 e 2001, aproveitando a minha descoberta pessoal das possibilidades da internet, desenvolvi um projecto chamado CRU online - na prática, a CRU online era uma mutação da versão em papel da CRU. Consistia no envio diário de uma vinheta por e-mail. Nessa altura eu estava a desenhar pequenas histórias utilizando vários pseudónimos, habitualmente uma ou duas páginas que depois eram divididas por vinhetas e enviadas ao ritmo diário. Na Cru online participaram também outros autores como Eduardo de Portugal, Marcos Farrajota, Leitonix ou Valquíria Aragão. Foi precisamente este abuso das caixas de e-mail alheias a origem da Superfuzz. Os quadradinhos foram recebidos ao longo de meses na redacção do BLITZ que através do António Pires me endereçou uma proposta para a criação de uma página semanal de BD para o Jornal. Após alguma insistência, porque inicialmente não me achava capaz de realizar tamanha tarefa - desenhar e escrever uma prancha semanalmente - a resposta acabou por ser positiva quando, discutindo o assunto com o Rui, chegámos a acordo para a realização do trabalho em conjunto. Ele ficaria responsável pelos desenhos, eu pelo argumento.” Essa discussão teve lugar num jantar, e de imediato ficou decidido que a história iria desenvolver-se numa loja de discos, e o Paiva foi logo pensado. “Não tivemos grandes preocupações na criação da série, até porque não estávamos a contar que durasse mais do que alguns meses. Não é comum os jornais publicarem BD durante muito tempo e nenhum de nós tinha experiência numa criação tão longa. Pessoalmente, nem sequer imaginava que me pudesse manter a criar histórias com as mesmas personagens durante 3 meses, quanto mais 3 anos! Desde o início pareceu a ambos óbvio que a história teria de se ambientar numa loja de discos. É um espaço fechado e ao mesmo tempo aberto que possibilitaria a criação e desenvolvimento de personagens variadas. Superfuzz vem do nome de um pedal de distorção de guitarra e também de um álbum de uma das minhas bandas preferidas - Mudhoney -, Paiva porque soava bem e também tinha outras conotações (charro). A série iria ser publicada num jornal de música, maioritariamente lida por pessoas entre os 15 e os 30 anos.” Rui Ricardo surgia na banda desenhada sobretudo com trabalhos de grande fôlego em colaboração com Paulo Patrício (“Jogos Humanos” e “A Canção do Bandido”), e logo percebeu que o tipo de trabalho que produzia com Paulo Patrício exigia demasiado tempo e não era adequado ao género mais cómico e expressivo de Superfuzz. Em termos temáticos, a ligação à música acabava por reflectir a experiência de ambos os autores, e permitir fazer uma banda desenhada sobre algo que conhecem bem sem grandes necessidades de pesquisa. Esgar Acelerado explica: “O ambiente das lojas de discos, concertos e bandas é algo que ambos experimentamos pessoalmente. O Rui foi baixista numa banda antes de se dedicar a isto dos quadradinhos, e eu, para além das edições fonográficas através da LowFly, também organizei concertos e festivais e fazia importação e venda de discos. Portanto estávamos mais ou menos à vontade para criar histórias com este tipo de material.” O booklet do CD The Sound Destructors, da editora discográfica LowFly Records, continha Astrogirl, uma BD de 12 páginas escrita e desenhada por Rui Ricardo, e foi promovido no Festival da Amadora há vários anos, permitindo aos autores constatar as diferenças entre o projecto da Amadora e o projecto do Porto. Esgar Acelerado faz o balanço: “A principal diferença entre os dois salões sempre me pareceu ser a de que um estava mais voltado para a BD alternativa (SIBDP) e o outro para a BD mainstream (FIBDA). Pessoalmente prefiro uma visão mais alternativa / independente dos quadradinhos - exposições como as dedicadas à fantagraphics ou Drawn and Quarterly no SIBDP foram momentos de revelação pois não conhecia alguns dos autores presentes... Mas nas últimas edições, o FIBDA passou a dar mais importância aos comics, o que me agradou bastante. O ideal seria a continuidade de ambos os salões com as duas visões diferentes, pois acabam por se completar. E afinal Portugal não é um país assim tão grande e qualquer pessoa pode visitar ambos com relativa facilidade. Lamentavelmente, o salão do Porto não aconteceu em 2003, como seria de esperar, uma vez que é bianual e a última edição aconteceu em 2001. Não se sabe se terá lugar em 2005, o que a não acontecer implicaria maior responsabilidade para a organização da Amadora, a ter de combinar as duas visões distintas.” Depois do lançamento do álbum, de uma exposição e de concorridas sessões de autógrafos na última edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, a LowFly Records prepara-se para editar, já no dia 26 de Março e numa edição limitada de 1000 exemplares, um CD intitulado "Superfuzz Original Soundtrack", com 26 temas de Rock'n'Roll escolhidos pelo "Paiva" em pessoa.
PEDRO MOTA
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