www.noticiasdaamadora.com.pt

  [Pesquisa avançada]
Ed. de 2008-10-25
  Banda Desenhada



   

   

   

   

   

   

   

   

   

   

   

   
   [Agenda]
   [Livro de visitas]
   [Caixa de correio]
   [Assinaturas]
   [Publicidade]
   [Ligações]
   [Ficha técnica]
   [O jornal]
   [Nome da escrita]
   [Orlando Gonçalves]

Viver cultura - Artes
Banda Desenhada
O gigante adormecido


A Meribérica-Liber dominou o mercado da edição de banda desenhada em Portugal durante largos anos. De tal forma, que o ano de 2001, que ditou a crise da editora acompanhando um cenário de mais vasta crise de distribuidores livreiros, quase pode ser visto como uma fronteira, entre o "período Meribérica" e o "pós-Meribérica".

Após a grande queda em 2001, 2002 foi para a Meribérica um ano em que a recuperação foi a palavra de ordem. A prioridade foi, claramente, a de encontrar uma equipa capaz de continuar o trabalho do sócio-fundador, Telmo Protásio. Patrícia Protásio, actual responsável da editora, está convicta de que este objectivo foi alcançado. Nesse ano, a actividade da empresa centrou-se na reedição de algumas colecções fundamentais como Astérix ou Blake e Mortimer.
Foi em 2003, que a Meribérica-Liber retomou a sua funcionalidade normal, voltando a definir um plano editorial centrado numa estratégia que engloba o lançamento de novidades e reedições. Naturalmente, encontrou um mercado muito diferente daquele que deixara dois anos antes. Em 2003, foram publicadas centenas de livros de BD, com uma enorme variedade de editoras.
Como diz Patrícia Protásio, «de facto, em 2003 a Meribérica-Liber partilhou com as outras editoras as circunstâncias de um mercado que se vira subitamente inundado de lançamentos de BD, sem que para isso estivessem preparadas estruturas fundamentais, como são as dos pontos de venda que, apesar de demonstrarem abertura aos produtos, vêem os seus espaços cada vez mais insuficientes para a produção global disponível. E as contrariedades próprias de um país marcado pela insegurança económica, pelo desemprego e pelo enfraquecimento do poder de compra, onde o cidadão comum prefere, literalmente, comprar o que comer e guardar com que pagar os transportes do que gastar dinheiro em livros».
Contrariando a tendência para a especialização das editoras em áreas específicas da BD, a Meribérica pretende manter o seu perfil generalista, embora centrando a sua produção nas edições franco-belgas.
Os critérios editoriais seguidos pela Meribérica devem ter diferido relativamente aos das outras editoras apenas no que respeita a dois aspectos importantes, ambos relacionados com a antiguidade da empresa.
Primeiro, antes de definir novos títulos para editar, «houve que seleccionar aqueles que pretendia manter, tendo em consideração que conservar em catálogo colecções demasiado longas ou desactualizadas significa um investimento desproporcionado relativamente ao rendimento provocado». Assim se reacendeu o interesse pelos clássicos Blueberry, e Blake e Mortimer, publicando os mais recentes álbuns destas colecções praticamente em simultâneo com o original francês. Também a série Luís Má Sorte foi recuperada com a edição de “Os Párias”, e a colecção XIII (um dos maiores sucessos da actual BD franco-belga) foi retomada. Do mesmo modo, houve que reafirmar autores fundamentais como Bourgeon (com a reediçção de um dos álbuns do Ciclo de Cyann), Prado (com a reedição de “Crónicas Incongruentes”), Schuiten (com o lançamento de “O Arquivista”) ou Manara (com a reedição de “O Verão Índio” e “El Gaucho”).
No que respeita a lançamentos, a editora «pretendeu demonstrar suficiente poder de iniciativa para capturar a atenção dos fãs de BD, sempre interessados em novas colecções, sem no entanto desvirtuar a essência do seu catálogo, nem entrar numa tentadora 'montanha-russa das novidades' que, a acontecer, seria desadequada e perigosa face às condições do mercado».
Entre as novidades até agora apresentadas, merecem especial destaque os álbuns “Diz Bom-Dia à Senhora” e “Cresce e Aparece”, da série O Pequeno Spirou, que assim apareceu pela primeira vez em língua portuguesa.
Finalmente, houve que «lidar com existências criadas em 29 anos de actividade editorial, durante os quais muitas vezes a definição das tiragens a produzir nada tinha de pragmático, não sendo suportada por razões válidas de mercado». Este facto «conduziu a valores de excedentes que justificavam a criação de acções promocionais, que já permitem encontrar a preços excepcionalmente convidativos alguns títulos procurados por leitores que pretendem completar as suas colecções».
2004 poderá marcar a continuação da recuperação da editora, embora haja algum receio da evolução do mercado.
Outros destaques importantes recaem sobre as colecções Michel Vaillant (beneficiando da recente adaptação ao cinema desta BD de Jean Graton) e Corto Maltese, que a partir de 2003 passou a ser exclusivamente editada em capa dura. Já são cartonadas as reedições de “A Balada do Mar Salgado”, “Corto Maltese na Sibéria” e “Tango”, bem como as novidades “As Célticas” (já disponível), “As Mulheres de Corto Maltese” e “A Juventude de Corto”. Mantém-se a aposta nas séries manga "Mother Sarah" e "Akira", com tendência para a baixa de preço. Já o lançamento de autores portugueses depende de algumas garantias.

PEDRO MOTA

Enviar  Envie este artigo a uma pessoa amiga Imprimir  Versão de impressão


   Veja outros artigos do dossier Banda Desenhada






[Última edição] [Arquivo] [Dossiers] [Censura16] [Companhia] [Ideias]
[Caixa de Correio] [Contactos] [Assinaturas] [Publicidade]


2002-2007 © Regimprensa - Todos os direitos reservados

Desenvolvido por: VistaNet